22 agosto 2009

Depoimento de Alessandra Andrioli

Tenho ceratocone desde 12 anos. Só lembro que não enxergava muito bem, mas só fui fazer exame nesta idade (1982), desde então fui vivendo com lentes rígidas, ora estava bem, ora ulcerava, enfim, esse drama que todos nós já sabemos.
Em 89 eu fiquei grávida e após alguns meses a lente do olho esquerdo, que era o mais afetado, começou a "pular" do meu olho, não parava mais. Usava então apenas a lente direita, sem elas a minha visão era nula. Já no fim da gestação eu não conseguia mais ficar o dia inteiro com ela e após o parto eu não consegui mais me adaptar. Fui encaminhada para o transplante.
Demorei 2 anos para ter coragem de fazer, hoje sei que fui boba, o transplante foi a melhor coisa que poderia ter feito. Tudo bem, eu tenho que usar óculos, mas são óculos "normais.Sou transplantada de AO, o primeiro fiz em 94, o outro em 03 e sinceramente, apesar do médico dizer que não haveria problema, não tive coragem de engravidar novamente.
Independente da minha experiência sabemos que cada experiência é única e o meu desejo é que corra tudo bem com todos que precisam de um transplante. Saibam que sempre existe uma saída. Não existe motivo para sofrer por antecipação.
Ao escrever fui remetida a um passado doloroso, que por um tempo quis esquecer, mas que agora me faz bem relembrar, pois me mostra o quanto posso ser forte diante das adversidades.Quando tive esse diagnóstico, na década de 80, era só transplante mesmo, não tinha nenhum outro recurso, não que eu saiba.
O primeiro médico que me atendeu, com a sutileza de um "elefante na loja de cristais", disse-me que não haviam garantias, que eu poderia ficar boa ou muito pior do que estava. Lembro-me que senti uma dor tão profunda, senti-me injustiçada, por Deus, pela vida... na minha cabeça era assim: eu só tenho 13 anos e já estou condenada a cegueira, e os meus sonhos e planos???
Parei de estudar, pois foi muito difícil a adaptação das lentes e eu não consegui conciliar as duas tarefas e por uma série de fatores eu comecei a me desvalorizar, perdi a auto estima.
Demorou muito até que eu tivesse coragem para aceitar, que tinha uma doença irreversível, uma deficiência e que necessitava do transplante, e que isso não me tornava inferior a ninguém.No meu caso o transplante foi bem sucedido. Não dá para explicar a alegria que senti quando tirei o tampão no dia seguinte a cirurgia, era um dia ensolarado, e o primeiro pensamento que veio a minha mente foi: o mundo está mais colorido!
Existem riscos, mas existem também muitos recursos, ter que fazer o transplante não é o fim da linha, é o começo de uma nova história, onde temos a oportunidade de conhecer os nossos recursos internos, de força e superação.
Busque todas as possibilidades.
E o mais importante não esmoreça, você vai conseguir, não tenha medo, ou melhor, enfrente-os, os meus medos me fizeram sofrer muito mais do que a situação real.
Um forte abraço a todos.
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Alessandra, só tenho a agradecer por ter permitido postar teu depoimento tão cheio de otimismo e esperança. Tua experiência serve de apoio a tantas mulheres que tem Ceratocone e passam por uma gravidez. Obrigada

5 comentários:

andrioli disse...

Alice, é um prazer poder estar com vocês e dividir essa experiência. Conhecer pessoas com a sua sensibilidade e solidariedade é uma honra.
Um grande bj.
Ale Andrioli

Gabriel Andrioli disse...

Olá, gostaria de parabenizar os criadores e mantenedores desse site onde podemos conhecer a um pouco mais sobre doenças da cornêa, Meu nome é Gabriel e sou filho da Alessandra (do depoimento), vivi parte desse problema com minha mãe, e participei de todo o processo de recuperação dos transplantes que ela fez, foi tudo realmente um sucesso, graças a Deus em primeiro lugar e à equipe que de médicos que cuidou dela. Posso afirmar, sendo auxiliar de enfermagem e um personagem dessa história, que o transplante é o melhor caminho, se o médico deu essa opção, siga em frente, confie em Deus, e bata de frente com seu medo. Eu sei, pois vivi todo o processo com minha mãe, o quanto é gratificante ver uma pessoa enxergar a vida mais colorida...

Grande abraço a todos...

Teti Pons disse...

Alice..
gostaria de saber mais sobre a evolução da distrofia de fuchs. Em algum momento a doença vai evoluir, e gostaria de saber mais. se puderes me adicionar, te agradeço.
tetipons@gmail.com

Anônimo disse...

Preciso fazer um transplante mas estou totalmente sem coragem de fazer tenho 23 anos bonito e um monte de sonhos pela frente mas com um medo terrivel do transplante meu e-mail é carllos_antonio@hotmail.com se puder me add ou me mandar um e-mail obrigado

Mariana disse...

Quantos problemas que um pode ter nos olhos! É terrível!
Eu não aguento os óculos nem as lentes de contato...
Vou ver se posso me operar num centro oftalmologia em belo horizonte que me falaram que é muito bom na área de cirurgia.