06 março 2009

[Notícia de Jornal]- Córnea recuperada - Crosslinking

Técnica que alia aplicação de um colírio com raios ultravioleta é nova proposta para regeneração da córnea

São vários os problemas que atingem a visão e, na maioria dos casos, as doenças mais graves surgem apenas em idades mais avançadas. Não é o caso do ceratocone, distrofia corneana que afeta jovens por volta dos 20 anos de idade, geralmente do sexo masculino, em uma proporção de oito homens para cada mulher afetada. Além da questão genética, o ceratocone depende de um importante fator ambiental para se desenvolver. ''Os pacientes quase sempre são alérgicos e têm o hábito de coçar os olhos com frequência. A fricção causada no olho faz a córnea ficar mais fina e sensível, o que aumenta a irritabilidade e a vontade de coçar. A pessoa entra em um círculo vicioso''. Com o tempo, a córnea começa a ganhar uma forma bem mais côncava que o normal, o que diminui a capacidade de enxergar adequadamente. ''O resultado é uma visão embaçada, chamada de diplopia monocular, que é a diferente de grau em partes distintas do mesmo olho. O paciente enxerga bem com uma parte do olho e mal com a outra. Geralmente o local mais danificado é a área inferior da córnea. À noite, a situação é ainda pior devido à abertura maior da pupila''.
Até há pouco tempo, o tratamento possível apenas amenizava os efeitos visuais da doença com o uso de óculos, lentes de contato ou um anel intraestromal. ''Mas nenhuma dessas possibilidades dava um resultado satisfatório. Os óculos não são eficientes para corrigir a visão, as lentes devem ser rígidas e causam problemas de adaptação e o anel, além de caro, não estabiliza o progresso da doença''.
Em 40% dos casos, o transplante de córnea era necessário. A novidade, que chegou em setembro do ano passado a Londrina, é o Crosslinking.
O tratamento, desenvolvido na Suíça, agrega a aplicação de uma substância com raios ultravioleta, melhorando a curvatura da córnea. ''O procedimento é bem simples. Com uma anestesia tópica (feita com colírio anestésico) retira-se o epitélio (camada superficial da córnea) e aplica-se um colírio de riboflavina na parte mais interna da córnea. Para que a substância tenha eficácia usamos raios ultravioleta. Todo o tratamento dura cerca de 30 minutos''. A riboflavina fortalece a córnea danificada, que consegue melhorar sua curvatura natural e também estabilizar o processo de degeneração da visão. ''O paciente tem alta logo depois da cirurgia e precisa ficar por cinco dias usando uma lente curativa e evitando ficar no computador e em frente à televisão. No primeiro mês, a visão fica ruim - a melhora total acontece em cerca de seis meses. O Crosslinking não recupera completamente a córnea, mas melhora bastante a qualidade da visão'', diz. Outra vantagem do tratamento é que ele pode evitar a necessidade de um transplante no futuro. ''Mas é importante que o diagnóstico de cerotocone seja feito o quanto antes porque o Crosslink tem alguns protocolos que precisam ser seguidos. Apenas pacientes com uma curvatura máxima e uma espessura mínima de córnea podem se submeter à cirurgia. Casos mais graves não são aconselhados para o tratamento''.
Livre de transplante
O estudante João Paulo Fidellis da Silva, 22 anos, descobriu no ano passado que tinha ceratocone. ''Fui fazer um exame de rotina porque tenho astigmatismo e o médico me disse que eu tinha a doença. Já desconfiava que alguma coisa não estava bem porque sem os óculos não enxergava nada'', revela. Como o problema havia evoluído rapidamente, João Paulo foi aconselhado a realizar a cirurgia. ''Topei porque sei do risco. Eu poderia ficar cego se não fizesse algo e com a visão não se brinca. Operei primeiro o olho esquerdo, em setembro do ano passado, e o resultado foi tão bom que decidi operar o olho direito também. Minha visão não é 100%, mas agora já consigo ver TV sem os óculos e sei que estou livre de um transplante'', diz.
O Crosslinking também pode ser usado para casos de ectasia da córnea, que é o afinamento da membrana causada por atos cirúrgicos anteriores e que causa distorções da visão, e para úlceras de córnea que não se fecham. O procedimento ainda não é coberto pelos planos de saúde e a cirurgia custa cerca de R$ 2,5 mil para cada olho. Para evitar que o ceratocone progrida é importante não coçar os olhos e corrigir os problemas de visão distorcida. ''Pessoas na faixa dos 20 anos, sem problemas aparentes, devem procurar um oftalmologista a cada três anos para um exame preventivo.
Geralmente o ceratocone surge como um astigmatismo irregular que vai avançando muito rápido. O diagnóstico correto é fundamental e já existem aparelhos que oferecem um panorama muito detalhado da córnea e suas imperfeições''.


Herika Fondazzi
Reportagem Local

5 comentários:

30 e poucos anos. disse...

É a evolução da saúde no Brasil !!!

Rosangela A. Santos disse...

Mias que informativo .. é dificil vermaterisa falando sobre os problemas da visão e a maioria das pessoas só se preocupa quando o problemas já esta avançada ..

parabéns pelas informações ..

abç.

Vivica Bolacha disse...

Putz, tbm tenho 22 e astigamtismo. Faz dois anos e não faço uma consulta. A notícia me incentivou a dar um jeito nisso. Será que isso tbm pode ter relação com conjuntitive? Ultimamente essa tal dessa inflamação vem me incomodando...

Muito interssante teu post.

Abs.
http://damasdevermelho.blogspot.com/

Anônimo disse...

oi tenho um filho q tem a doença estou apavorada não tenho recursso para a cirurgia . vou tentar de tudo para conssrguir a grana, ele vai fazer 20 anos na próxima terça feira.abraços M cristina.

Amanda disse...

Ola, descobri que estava com a doença aos 16 anos, e desde então venho fazendo tratamento, mas o ceratocone progrediu muito e terei de fazer a cirurgia. Estou muito nervosa, estava pesquisando sobre o assunto e encontrei essa matéria incrivel que me deixou mais aliviada e com esperanças de poder ter uma visão melhor!

Obrigada...



Abraços
Amanda