12 dezembro 2008

Depoimento de Thais Itaqui após a gravação do programa Profissão Repórter

“Dor e solidariedade”
No começo da reportagem só tinha dor. Minha tarefa foi registrar o trabalho da equipe do Banco de Olhos responsável pela captação de córneas. No caso que acompanhei, o médico pediu a doação para um pai que tinha acabado de perder um filho. E o filho só tinha dezoito anos. Gravamos o áudio da conversa e veio, então, a tarefa mais difícil: falar com o pai e pedir autorização para mostrar no programa o que gravamos.
O pai saiu da sala do médico e foi em direção ao elevador. Eu fiquei parada, sem saber pra onde ir. Fiquei indecisa se iria mesmo falar com ele naquele momento de tanta dor. Olhei para meu colega Thiago e ele fez um gesto de “vai, vai!”. Com esse impulso, fui. Entrei no elevador e fiquei
olhando para o pai pensando “Ele nem sabe quem eu sou e ainda vou falar de uma reportagem! Logo nesse momento!!”.
Nessas horas pedimos desculpas a Deus por existir. Mas respirei fundo e expliquei que estava fazendo uma matéria sobre doação de córneas e que ele tinha tomado uma nobre atitude doando as córneas do filho. Para minha sorte e a da reportagem, ele autorizou a exibição da reportagem. Foram vinte horas de plantão com desgaste físico e psicológico até conseguirmos registrar esse momento.
Essa foi a parte da dor. Mas a reportagem continuou e terminou registrando a vida. Depois de dois dias uma senhora de oitenta anos recebeu a córnea doada. A dona Aparecida estava radiante, alegre e cheia de vida e acalmou o coração da equipe com tanta simpatia.

6 comentários:

Elton Rosa disse...

Eu assistir essa reportagem, deveria agradecer a Deus por tudo que tenho, só assim pra vermos o quanto somos felizes sem saber.

Fabio disse...

profissao reporte é muito bom, sempre com otimas materias.

André disse...

otimo. nao sei como alguem pode dar calote em voce . um blog de consienticaçao. parabens.
www.blogdaincerteza.blogspot.com

descharth disse...

Não vi a matéria, mas é impossível ficar calado diante da pauta.

Realmente é difícil conciliar o momento da dor da perda do ente querido e a alegria do que recebeu a oportunidade de voltar a enxergar.

Mas o consolo de saber que o ente amado, embora morto, continua a ter papel de vida na vida, é maravilhoso e reconforta a alma.

Marcelle Lins disse...

Oii Alice,
Estou passando aki para agradecer sua visita no meu blog.
Amei o seu poema. Vou guardá-lo com mto amor... =]

Fiquei mto emocionada com a sua historia.. Nossa ! Parabens pela força, pela vida.

Eu assistii o Profissão Reportér nesse dia.. a realidade e a dor que foi passada nos ensina a dar valor a peqnas coisas..

Estareii sempre por aki !

Beijãoo

www.maisq1historia.blogspot.com

D.Nobree disse...

Boom , pra começo esse e um trabalhoo, que exige não so, atenção capacidade , como também, coragem e força, ficoo feliz por vc ter essa coragem e , força pra continuar a matéria, abraçoos '